Cerveja literária lança rótulo com poema de Hilda Hilst
Fetiche, uma Fruit Beer de goiaba, será uma das atrações da Festa Literária Internacional de Paraty que na edição deste ano tem a poetisa como autora homenageada.

Cerveja literária lança rótulo com poema de Hilda Hilst

Uma cervejaria que é editora. Um centro cultural que é cervejaria. Definir a Cerverbaria, de São Paulo, é tarefa para dicionários. O que importa é que, por lá, cerveja é suporte literário. A mais recente produção, a  Fetiche, uma Fruit Beer de goiaba, chega ao mercado com um poema de Hilda Hilst (1930-2004) como rótulo. O lançamento oficial dessa cerveja será na Festa Literária Internacional de Paraty (de 25 a 29 de julho) que na edição deste ano tem a poetisa como autora homenageada.

Foi na Flip do ano passado que a publicitária Caroline Freire e o historiador André Rosemberg lançaram a Cerverbaria. O que a dupla tinha em mente era algo “simples”: usar os rótulos de cerveja como suporte para textos literários. Inéditos.

“Nossa ideia é democratizar o acesso à literatura. Nos rótulos, muitos autores circulam mais do que com os próprios livros. A receptividade para o nosso convite é ótima. Na verdade, muita gente fica se perguntando como não teve essa ideia antes. Todos os autores, até agora, acharam muito excitante a ideia de escrever para a Cerverbaria”, comenta André.

No catálogo da cervejaria-editora, fazem parte Alice Ruiz, Tati Bernardi, Antonio Prata, Sergio Rodrigues, Natalia Timerman, André Sant’anna e Joca Terron, por exemplo. Poética (Larger, poesia), Capotão (IPA, textos sobre futebol) e Epistolar (Weiss, crônicas em forma de carta) são as cervejas-temas.

André explica que buscou criar uma linha de cervejas “no coração dos estilos” para conseguir manter “o preço acessível” dentro do ambiente das artesanais. Cativar o “público entrante” desse tipo de cerveja também faz parte do objetivo. Por isso, por lá, não há bebidas extremas. Segundo ele, o carro-chefe é a IPA (50 IBU).

A Fetiche é uma sazonal, criada especialmente para a Flip, a pedido de Daniel Freitas, detentor dos direitos de Hilda Hilst.  Por que Fruit Beer de goiaba para a escritora?

“Queríamos também homenagear Hilda, então, escolhemos um poema de amor. Buscamos uma bebida de caráter mais sensual. Fomos em busca de uma fruta que lembrasse às pessoas sensualidade. Ao mesmo tempo, não queria fazer uma cerveja muito ácida porque, confesso, não gosto muito. A goiaba, tecnicamente, combina com cerveja. A fruta não deixa a bebida enjoativa, a cerveja assume um pouco a sua cor e fica com o aroma da fruta”, explica André.

Os textos para a Cerverbaria giram em torno de mil caracteres. A Poética já tem seis rótulos (Alice Ruiz, Joca Terron, Angélica Freitas, Marcelino Freire, Bruna Beber e Mariana Felix). A Capotão, cinco (Natalia Timerman, Sergio Rodrigues, André Sant’anna, Maurício Barros e o próprio André Rosemberg). Em setembro, mais três chegam ao mercado. A Epistolar conta com três textos (Tati Bernardi, Antonio Prata e Fabrício Corsaletti) e, até o final do ano, chegam mais dois. Todos os autores são remunerados pelo seu trabalho – tanto em dinheiro quanto em cerveja. Sendo que alguns, segundo André, preferem receber somente em cerveja.

“Muita gente nos procura querendo publicar, principalmente na Capotão. O futebol é um tema um pouco escondido na literatura brasileira, apesar de recorrente. Na verdade, cerveja e futebol formam uma instituição nacional”, comenta.

Ele informa que a “tiragem” da Cerverbaria é de duas mil cervejas “por vez”. A produção é feita na Brew Center, em Ipeúna (SP). Sim, trata-se de uma “editora” cigana. Carolina e André definem a cerveja que querem produzir e o mestre cervejeiro da fábrica cria a receita e faz os ajustes até a dupla ficar satisfeita.

André já foi sócio da cervejaria Oak Bier, do Paraná. Ele conta ter “caído de paraquedas” no negócio por conta de um amigo que criou a marca.

“A cervejaria foi minha primeira experiência de empreendedorismo. Por ser pequena, tinha um trabalho braçal muito grande. Agora, já posso dizer que sou empresário cervejeiro”, brinca André.

Além de cervejaria e editora, a Cerverbaria, que fica no bairro de Pinheiros, também se transforma em Centro Cultural para abrigar eventos literários. A Fetiche teve um pré-lançamento, na última quinta-feira (19) e reuniu no local 16 autores que leram textos de Hilda Hilst.

Agora, o rótulo poderá ser encontrado na Casa Hilda Hilst, uma das atrações da Flip. A  Cerverbaria também marcará presença na Flipei, a Festa Literária Pirata das Editoras Independentes que “participa” da  Flip em um barco, atracado em Paraty.


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